Morfino é um filóso contemporâneo, que estuda a essência do vazio.
Resolveu entrevistar pessoas não tão vazias, para observar o contraste.
Descobriu que há um tipo de osmose que ninguém nunca ouviu falar, que se diferencia daquele outro tipo de osmose que quase ninguém nunca ouviu falar.
Em contato, as pessoas equalizam a sua sabedoria.
Morfino hoje entrevista Claus de Andrade, um filósofo extracontemporâneo.
A platéia ovaciona de pé a entrada de Claus.
Claus de Andrade agradece com um leve sorriso.
MORFINO: Claus, você é o rei das perguntas desconcertantes. O que Claus perguntaria a si mesmo?
CLAUS: Eu não perguntaria nada a alguém de quem eu já espere uma resposta.
MORFINO: E você não espera uma resposta de si mesmo.
CLAUS: Não, porque a tenho enquanto a elaboro.
MORFINO: Por conhecer suas respostas, você não se faz perguntas?
CLAUS: Eu me faço perguntas, mas elas não me escutam.
MORFINO: Qual é a sua grande questão?
CLAUS: Que eu não tenha aprendido matrizes e determinantes na escola. Talvez aquilo tivesse alterado minha altoestima de tal forma que eu nem tivesse me tornado filósofo.
MORFINO: Porque a filosofia foi a sua rota de fuga da baixa estima?
CLAUS: Com certeza. Eu achava que era um **sta. Com a filosofia, eu aprendi a ter certeza.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
HUMOR E POESIA

Tem coisa melhor que um boteco?
Morfino e Márcio Reiff, amigos de longa data - e inimigos de longa data também - estão novamente juntos num boteco, desta vez para um assunto importante: a pré-entrevista para a revista Playboy.
E assunto é o que não faltaria para esses dois, reconhecidamente bons conversadors. Difícil é fazer a pauta da entrevista, porque isso requer um mínimo de concentração. E depois de um choppinho a concentração se dilui, diria Morfino.
A situação pode piorar se o seu Acácio atender a mesa. O mais antigo garçom da casa também é bom de prosa, especialmente se o patrão não está.
MORFINO: Um cara que faz tudo não faz nada, certo?
REIFF: Um cara que faz tudo faz tudo se o barato for fazer. Eu não faço tudo porque quero. Quando vejo, já estou fazendo.
MORFINO: Quando você tem que preencher uma ficha você põe o quê no lugar da profissão?
REIFF: Nunca soube bem o que botar. Então boto poeta. As pessoas ficam me olhando como se eu fosse um ser alienígena. É muito engraçado.
MORFINO: Mas então você é poeta?
REIFF: Faço poesia com o olhar.(risos)
MORFINO: E o humor?
REIFF: Tanto o humor como a poesia nos dão pequenos momentos de iluminação. Eu saco coisas que levaria anos para perceber.
MORFINO: Taí uma chamada interessante pra matéria: "Humor e Poesia",o que você acha?
REIFF: Sou suspeito pra falar. Acho ótimo. Cabe muita coisa nesses dois assuntos e eu vejo uma profunda interligação entre eles. Gosto da linguagem do clown porque mistura essas duas coisas. O palhaço é um poeta, faz um tipo de humor minimal.
MORFINO: Você foi o criador da expressão "humor minimal?".
REIFF: Não sei. Vejo o mínimo como o essencial, o substrato, a quintessência. Vivo em busca da simplicidade. Do mínimo que possa dizer o máximo.
MORFINO: Como cartunista, você foi colaborador do Jornal de Teatro, da Revista do Motoqueiro, e hoje não tem publicado em nenhuma mídia impressa, por quê?
REIFF: Tenho feito poucos cartuns. Ando muito encantado pelo texto. Acho sim que a palavra pode ganhar mais espacialidade, como já tem acontecido. Já pensei em publicar meus "textuns", que são os meus "cartuns" feitos de texto. Tudo pode ser.
MORFINO: Desse mato sai muito coelho, não sai?
REIFF: Muuuuito.
MORFINO: "Nós viemo aqui pra bebê ou pra conversá?" Eu tô tranquilo. Vamo bebê. Temos aí uns dias pra arredondar essa bola.
REIFF: Boralá. Timtim!
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
RESPONDENDO AOS INTERNAUTAS

Morfino e Márcio Reiff conversam na varanda do apartamento do Morfino, local marcado para a entrevista. Morfino traz as perguntas mandadas pelos internautas e pelos espectadores. É uma tarde de véspera de feriado em São Paulo. O céu está azul e a cidade está silenciosa. Uma brisa suave faz farfalhar as folhas com as perguntas, que estão sobre uma mesinha. Ambos tomam uma cervejinha escura, das quais o Morfino tem caixas muqueadas em casa. Morfino liga o gravadorzinho que está sobre a mesa, acende uma ponta e pega o papel coma as perguntas:
MORFINO: Ana Laura, de Campo Grande do Sul, pergunta: "O seu site tem o nome de "humor inteligente". O que é humor inteligente pra você?"
REIFF: Não poderia haver pergunta melhor para começarmos esse bate papo. Humor inteligente é aquele que convida a participação do público. É um humor que é mais do que humor: é um pouco de poesia, de verdade, de sabedoria, de espirituosidade. Talvez se contraponha à idéia do clichê, do humor requentado, das fórmulas batidas, do querer fazer graça. O humor inteligente não necessariamente leva ao riso, mas sempre leva ao enlevo. Ao insight. Chamo de humor minimal aquele humor que pode ser forte como um veneno, porque é a essência, o arquétipo. Hoje eu procuro fazer o humor minimal, você diz muito, com o mínimo. Será que eu respondi, Ana Laura?
MORFINO: Outra pergunta de espectador. É o César, de São Paulo, Capital. Ele pergunta: Além de comediante, você também faz tirinhas para o Jornal de Teatro. O que começou primeiro, em termos de humor?
REIFF: Eu sempre fui apaixonado pela linguagem gráfica, pelas imagens. E sempre gostei muito de desenhar, mas até hoje não aprendi (risos). O meu traço é um traço simples, despojado. O humor está no olhar, na percepção, na idéia. Posso levar essas percepções para qualquer veículo de expressão: o papel, o palco, a telinha. Mas o que não pode faltar é o olhar. Eu também tocava violão e contava uma estórias engraçadas nas festas,quando era garoto. Me interessa o humor, uma visão renovada sobre as coisas. O humor pode adquirir diferentes formas.
MORINO: O que você queria ser quando crescesse? Tudo?
REIFF: Mandou bem. Eu queria ser cada coisa que me encantava. Operador de escavadeira, operador de montanha russa, maquinista de trem...Durante um bom tempo eu disse que queria ser psiquiatra. Sempre me interessei muito pela loucura humana.
Embora loucura só possa ser humana mesmo...(risos)
MORFINO: Você se formou em Direito, trabalhou como redator publicitário boa parte da sua vida e o que mais você fez?
REIFF: Iche...Eu sempre cassei um jeito de fazer o que me dava na telha. Porque eu acho que quando a gente está encantado com alguma coisa a gente faz bem e com prazer. Qualquer paixão me diverte, se a companhia é boa. E se não é, a gente tenta fazer ficar. Eu me sinto uma espécie de Peter Pan. Não cresci. E isso tem um lado bom também. Mas respondendo a pergunta, já fui consultor de empresas, na área de treinamento, já fui palhaço e acho que isso eu nunca vou deixar de ser, já fui chamado até para ser segurança, acredite se quiser. Eu não deixaria ninguém em segurança (risos).
MORFINO: "Dizem que todos nós trazemos um pouco dos nossos ídolos, diluídos e mixados em quem somos. De quem você traz influências? " Pergunta da Ana Clara, de Blumenau.
REIFF: Nossa, são tantos... Professores de escola, vários. Dona Eliane, uma professora minha que tinha uma visão lúcida sobre a História. Meus pais. Elisa Lucinda, Denise Stoklos, Leon Eliachar, Veríssimo, Drummond, Tute, Plantu, Loreando, Picasso, Miró, Haring, Villa Lobos, Piazzolla, Jobim, Antonio Prata, Marcelo Rubens Paiva, Dali, Kandinski, Klee, Henfil, Orlando, Caruzzo, Adnet, Gentili, Marina, Chico Anísio, David Letterman...eu passaria dias falando sobre pessoas que eu admiro, e a grande maioria delas não são famosas... Eu acho que a admiração nos aproxima. Tô sempre procurando admirar alguma coisa na pessoa. Nem que sejam os peitos...(risos).
MORFINO: O que é o humor pra você? Pergunta Telma Assis, do Rio de Janeiro.
REIFF: É uma maneira de pensarmos o mundo por outras óticas. O humor descortina o véu da ilusão. O bom humor, pra mim, é aquele que gera um insight. O humor inteligente é uma delícia. Tem um pouco de poesia, de espirituosidade, ironia fina.
Se dá tempo de responder ainda a pergunta anterior, um ídolo pra mim é o Wood Allen. Sô fã desse cara.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
CONVERSAS
MORFINO: Por que entrevistas?
REIFF: É um jeito que eu encontrei de explorar o sabor coloquial do diálogo, o frescor da conversa. Eu sempre adorei programas de entrevistas.
MORFINO: Até que ponto o artista vê a realidade ou vê a sua própria realidade projetada?
REIFF: Eu viajo muito. Quando caio em mim sempre caio no lugar errado.
Já vivi muito a condição de "corpo presente" (faz as aspas com os dedos). Mas hoje a minha viagem tem sido sobre coisas que vejo e não tanto sobre as que simplesmente imagino.
Tenho sido mais observador. Mas acho que como o olhar eu jogo meu pó de pirlimpimpim.
MORFINO: Me parece que o bom entrevistador, ou âncora de talk show, deve ter um senso de presença quase budista, para brincar com o frescor da conversa. O que faz um bom talk show?
REIFF: Gosto muito de programas de entrevistas, especialmente quando o entrevistador é um bom conversador. O cara precisa gostar de ouvir. Senão não dá jogo. Não dá liga.
MORFINO: Por que Papo Costurado?
REIFF: Eu procuro costurar as minhas idéias, antes que elas voem. (risos)
REIFF: É um jeito que eu encontrei de explorar o sabor coloquial do diálogo, o frescor da conversa. Eu sempre adorei programas de entrevistas.
MORFINO: Até que ponto o artista vê a realidade ou vê a sua própria realidade projetada?
REIFF: Eu viajo muito. Quando caio em mim sempre caio no lugar errado.
Já vivi muito a condição de "corpo presente" (faz as aspas com os dedos). Mas hoje a minha viagem tem sido sobre coisas que vejo e não tanto sobre as que simplesmente imagino.
Tenho sido mais observador. Mas acho que como o olhar eu jogo meu pó de pirlimpimpim.
MORFINO: Me parece que o bom entrevistador, ou âncora de talk show, deve ter um senso de presença quase budista, para brincar com o frescor da conversa. O que faz um bom talk show?
REIFF: Gosto muito de programas de entrevistas, especialmente quando o entrevistador é um bom conversador. O cara precisa gostar de ouvir. Senão não dá jogo. Não dá liga.
MORFINO: Por que Papo Costurado?
REIFF: Eu procuro costurar as minhas idéias, antes que elas voem. (risos)
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
O HUMOR E O JAZZ
MORFINO: Woody Allen toca semanalmente seu clarinete numa banda de jazz. Luis Fernando Veríssimo toca sax. Tem feito até uns shows com os irmãos Caruso. Qual a relação que você vê entre o humor inteligente e o jazz?
REIFF: O jazz é inteligente porque não se apóia em coisas requentadas, assim como o humor inteligente. Eu acho que o jazz é um estado de espírito libertário, que acolhe a diversidade, e que traz o frescor da improvisação. Eu penso que em ambas as coisas se busca sair do óbvio.
MORFINO: Freud dizia que o humor promove a "economia psíquica", fazendo com que a psiqué estabeleça associações inusitadas, encurtando os tortuosos caminhos defensivos da mente. Assim, o humor teria uma função terapêutica, tanto quanto o sonho. Em outras palavras, o humor reduziria as resistências imposta pelo superego, permitindo que a energia psíquica encontre mais facilmente seus próprios caminhos. O jazz também teria uma função assim?
REIFF: O jazz está muito associado à improvisação, que se contrapõe às formas rígidas e acabadas. Eu não tenho dúvida de que a música, mais livre, proporciona algumas respostas emocionais interessantes para quem faz e para quem ouve. A sinergia entre os músicos também cria experiências mágicas. Acho que a própria vida disponibiliza esse encantamento, quando estamos perfeitamente sintonizados com o que está rolando, sem julgamentos e avaliações. Deixando o ego de lado, nós experimentamos um tipo de transcendência. O humor e o jazz, por proporcinarem um estado de fluência, produzem uma extraordinária resposta terapêutica, especialmente para os neuróticos e os reprimidos, como são boa parte desses humoristas que trabalham com o humor inteligente, entre os quais eu modestamente me incluo.
REIFF: O jazz é inteligente porque não se apóia em coisas requentadas, assim como o humor inteligente. Eu acho que o jazz é um estado de espírito libertário, que acolhe a diversidade, e que traz o frescor da improvisação. Eu penso que em ambas as coisas se busca sair do óbvio.
MORFINO: Freud dizia que o humor promove a "economia psíquica", fazendo com que a psiqué estabeleça associações inusitadas, encurtando os tortuosos caminhos defensivos da mente. Assim, o humor teria uma função terapêutica, tanto quanto o sonho. Em outras palavras, o humor reduziria as resistências imposta pelo superego, permitindo que a energia psíquica encontre mais facilmente seus próprios caminhos. O jazz também teria uma função assim?
REIFF: O jazz está muito associado à improvisação, que se contrapõe às formas rígidas e acabadas. Eu não tenho dúvida de que a música, mais livre, proporciona algumas respostas emocionais interessantes para quem faz e para quem ouve. A sinergia entre os músicos também cria experiências mágicas. Acho que a própria vida disponibiliza esse encantamento, quando estamos perfeitamente sintonizados com o que está rolando, sem julgamentos e avaliações. Deixando o ego de lado, nós experimentamos um tipo de transcendência. O humor e o jazz, por proporcinarem um estado de fluência, produzem uma extraordinária resposta terapêutica, especialmente para os neuróticos e os reprimidos, como são boa parte desses humoristas que trabalham com o humor inteligente, entre os quais eu modestamente me incluo.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
MINIMAL
MORFINO: Você disse que a sua arte está na busca da simplicidade. Você não corre o risco de ser superficial?
REIFF: Acho a simplicidade uma coisa paradoxalmente profunda. A simplicidade mexe com arquétipos. Diz muitas coisas nas entrellinhas. Coisas que, lá no fundo, a gente já sabe. Despir a arte de todos os ruídos desnecessários é o que me inspira. Até porque eu acho que isso muda a maneira de vermos a própria vida.
MORFINO: Como?
REIFF: Quando eu falo menos, dou espaço pro outro ouvir a sua própria voz, que, em última instância, é o que ele precisa ouvir. Quanto menos elementos eu dou, mais a imaginação do observador se encaixa. A função última da arte é fazer com que cada um ouça o próprio coração.
REIFF: Acho a simplicidade uma coisa paradoxalmente profunda. A simplicidade mexe com arquétipos. Diz muitas coisas nas entrellinhas. Coisas que, lá no fundo, a gente já sabe. Despir a arte de todos os ruídos desnecessários é o que me inspira. Até porque eu acho que isso muda a maneira de vermos a própria vida.
MORFINO: Como?
REIFF: Quando eu falo menos, dou espaço pro outro ouvir a sua própria voz, que, em última instância, é o que ele precisa ouvir. Quanto menos elementos eu dou, mais a imaginação do observador se encaixa. A função última da arte é fazer com que cada um ouça o próprio coração.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
AS FACES DO HUMOR
MORFINO: O humor tem infinitas caras. Existe um denominador comum entre elas?
REIFF: O humor tem a função de nos deixar menos anestesiados. Ele quebra paradigmas. Portando o humor é um instrumento de evolução espiritual. Ele areja as nossas percepções a ponto de nos fazer voar.
O humor nos deixa mais imaginativos. Mais criativos. Mais perceptivos. Mais afetivos. De que mais nós precisamos?
MORFINO: Você não acha que tem uma visão muito romantizada, poética, a respetio do humor?
REIFF: Pra mim, o humor e a poesia são coisas muito próximas e nos permitem driblar o fisiologismo da mente, que usa sofisticados mecanismos para que não percebamos a farsa que é a sua existência. O humor e a poesia nos fazem trancender a nossa tacanha visão da realidade. E certamente nos deixam mais sábios.
REIFF: O humor tem a função de nos deixar menos anestesiados. Ele quebra paradigmas. Portando o humor é um instrumento de evolução espiritual. Ele areja as nossas percepções a ponto de nos fazer voar.
O humor nos deixa mais imaginativos. Mais criativos. Mais perceptivos. Mais afetivos. De que mais nós precisamos?
MORFINO: Você não acha que tem uma visão muito romantizada, poética, a respetio do humor?
REIFF: Pra mim, o humor e a poesia são coisas muito próximas e nos permitem driblar o fisiologismo da mente, que usa sofisticados mecanismos para que não percebamos a farsa que é a sua existência. O humor e a poesia nos fazem trancender a nossa tacanha visão da realidade. E certamente nos deixam mais sábios.
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